A transparência do crédito de carbono é fundamental para o mercado voluntário de carbono (MVC). Traz credibilidade, segurança e liquidez para os ativos ambientais. A utilização de tecnologias como o blockchain e plataformas como a eumostro ajudam a entregar uma melhor percepção de transparência para o mercado. Entenda o básico sobre esse mercado e como podemos te ajudar.

Os tipos de mercado de carbono

Antes de mais nada é bom esclarecer que existem dois tipos de mercado de carbono, o regulado e o voluntário. O mercado regulado é aquele utilizado por empresas e governos que, por lei, devem contabilizar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Os atores precisam estar em conformidade com os limites estabelecidos ou pagar impostos referentes as emissões. Aqui não há muito o que fazer, pois é uma questão de obedecer a lei.

Importante lembrar que no Brasil, neste momento, ainda não há um mercado regulado de emissões de carbono. Já foram feitos estudos e propostas de lei, mas nada aprovado. Assim, no Brasil, consideramos apenas um mercado voluntário de carbono.

O que é o mercado voluntário de carbono?

O mercado voluntário de carbono (MVC) permite que investidores privados, governos, organizações não governamentais (ONGs) e empresas adquiram voluntariamente créditos de carbono. Eles fazem isso para compensar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), ou também conhecida como “pegada de carbono”. Fazem isso de forma voluntária (não há lei que obriga), mas o fazem por objetivos de propósito ou até mesmo para buscar uma diferenciação de mercado (marketing).

O Brasil recentemente regulou a CPR Verde, que nada mais é do que o crédito de carbono voluntário. Esse mecanismo de mercado é muito importante, pois com ele as empresas podem comprar e reportar contabilmente.

Lembrando que as emissões de gases de efeito estufa são contabilizadas em “CO2e” (dióxido de carbono equivalente) e um crédito de carbono equivale a 1 tCO2e (uma tonelada de dióxido de carbono equivalente). O equivalente vem como uma padronização, onde os demais gases de efeito estufa (CH4, metano, por exemplo, equivale a 21 CO2e).

Como são gerados os créditos de carbono?

Os créditos de carbono podem ser gerados de diversas maneiras. São desenvolvidos projetos (esforços temporários) que contabilizam, em determinado período de tempo, a redução, captura ou evitam que carbono seja emitido para a atmosfera, contribuindo para a ação climática. Veja alguns exemplos:

  • Projetos de emissão evitada de carbono: tem objetivo de evitar que o carbono seja lançado na atmosfera, como por exemplo, ações de prevenção ao desmatamento;
  • Projetos de redução de carbono: buscam reduzir a emissão de carbono de processos, como por exemplo, melhora da eficiência de processos, troca para uma matriz energética “suja” (que utilizam óleo e carvão) para uma limpa (solar, eólica etc);
  • Projetos de captura de carbono: buscam remover o carbono presente da atmosfera, estocando em materiais (grafite, por exemplo).

Todos projetos precisam mostrar, de alguma forma, garantias de que efetivamente contribuem para a ação climática na quantidade que dizem que o fazem. É por isso que, muitos compradores, demandam uma verificação de terceira parte para auditar o projeto. Isso, pois há muitos projetos de baixa qualidade e de efetividade “questionável”, o que é ruim para todo o mercado.

O que é uma compensação de carbono?

Uma compensação de carbono, então, nada mais é do que uma empresa ou pessoa física reduzir ou comprar créditos de carbono no mercado, como forma de “compensar” sua pegada de carbono. Quando isso é feito o crédito de carbono é “aposentado”, ou seja, não pode ser novamente comercializado (recompra), pois “cumpriu sua função”.

A transparência do crédito de carbono

Pelo texto acima, você já notou que o assunto é um pouco complexo, não? São diferentes atores, objetivos e interesses envolvidos. É aqui onde a transparência do crédito de carbono é importante. Por exemplo, as empresas que dizem que são “carbono zero”, onde elas efetivamente mostram sua pegada de carbono e os créditos comprados no mercado para compensá-las? E quem vende o crédito de carbono, como garantir que ele não venda o mesmo crédito para duas ou mais empresas compensarem suas emissões? (isso é chamado de dupla contagem)

Ser transparente significa garantir que as compensações de carbono sejam sustentadas por ações reais de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

O blockchain é uma tecnologia que ajuda a entregar transparência e que tem ótima aplicação para o crédito de carbono. Por garantir a imutabilidade das informações e também por ter a opção de utilização de NFT (token não fungível) e “tokenização”, consegue-se entregar a rastreabilidade dos créditos vendidos, bem como quando são aposentados (“destruindo” o token).

A eumostro além de utilizar o blockchain para ajudar na rastreabilidade de ativos e serviços associados, ajuda a mostrar o impacto social nas comunidades onde os projetos estão sendo implementados. Entrega a transparência da evolução da comunidade em termos de recursos financeiros aplicados, o que está sendo feito em termos de ações que evitam o desmatamento etc. A nossa parceira, HDOM Consultoria, tem todo conhecimento técnico para trabalhar essas questões “in loco”.

Os comprometimentos para deter o desmatamento

No segundo dia da COP26 – as negociações climáticas da ONU em Glasgow – o mundo comemorou um anúncio feito por líderes de 124 países. Na Declaração dos Líderes sobre Florestas e Uso da Terra, os líderes mundiais se comprometeram “a deter e reverter a perda florestal e a degradação da terra até 2030, ao mesmo tempo em que oferece desenvolvimento sustentável”. O Brasil é um dos países signatários, mas teremos condições de entregar essa meta, visto que temos grandes porções da floresta amazônica e do ecossistema do Cerrado?

Há a necessidade de parcerias genuínas. As parcerias de produtores devem incluir governos, indústria, agricultores, comunidades e a sociedade civil em geral. Só encontraremos soluções se colocarmos as pessoas no centro dessas propostas. Se os menores produtores forem excluídos, o mercado ficará ainda mais segmentado e os mais pobres serão discriminados. Isso será catastrófico não só para esses produtores, mas também na luta contra as mudanças climáticas.

A eumostro é uma parceira contra o desmatamento e estamos empenhados a contribuir, com tecnologia e transparência, para que a mudança climática seja combatida. Além disso, contribuímos para que o impacto social dos projetos seja considerado como fator importante para a valorização dos ativos ambientais.